Empreender
Você quer construir uma coisa sua, que carregue seu nome e funcione sem você. Aceita anos de aperto e de risco para que ela exista.
A ideia que não te largou
Teve uma ideia que ficou meses na sua cabeça. Você chegou a montar planilha, escolher nome, talvez até desenhar um logo, num fim de semana em que devia estar descansando.
Pode ser que tenha desistido dela. Pode ser que tenha desistido de várias. E ainda assim você sabe exatamente qual foi.
Repare no que estava acontecendo: não era vontade de sair do emprego. Você não estava fugindo de nada naquele fim de semana. Era vontade de ver aquilo existindo no mundo.
Se é assim, a sua âncora provavelmente é empreender.
O que essa âncora é
É a necessidade de criar algo que não existia e que carregue a sua marca.
Schein chamou de criatividade empreendedora, e a palavra criatividade é a chave — ela separa essa âncora de todas as outras que também levam gente a abrir negócio. O que move aqui não é liberdade, nem dinheiro, nem comando. É a construção.
Duas características tornam essa âncora reconhecível.
A primeira é que a coisa precisa ser sua. Não necessariamente sozinha, não necessariamente uma empresa: pode ser um produto, uma metodologia, uma área nova dentro de uma companhia grande. Mas tem de haver uma resposta clara à pergunta "quem fez isso?", e a resposta tem de incluir você.
A segunda é mais estranha e mais reveladora: a coisa precisa funcionar sem você. Quem tem essa âncora não quer um trabalho, quer uma obra. Um negócio que depende da sua presença diária para existir não satisfaz por muito tempo, porque ele não é uma criação — é um emprego que você mesmo inventou.
Como ela aparece
Você vê problema e já imagina o negócio. É quase involuntário, e acontece até quando o problema não é seu.
Você começa mais do que termina. E a parte que te dá prazer é notoriamente o começo — o zero a um, não o um a dez.
Ver a ideia de outro dar certo te incomoda mais do que deveria. Não é inveja do dinheiro. É a sensação de que aquilo podia ter existido pela sua mão.
A pergunta "de quem é isso?" importa para você. Reconhecimento coletivo é bom; autoria é melhor.
Descubra se essa é a sua.
Ler sobre uma âncora dá a suspeita: você se reconhece em duas cenas e pensa "é isso". Só que a vizinha dela costuma ter cenas parecidas, e a diferença entre as duas é o que muda a decisão. O Teste de Âncoras de Carreira faz a pergunta que a leitura não faz, em 28 escolhas, 5 minutos, sem cadastro. No fim, você sabe qual é a sua, e o que vem logo atrás.
Descobrir se é a minhaO que fere essa âncora
A criação que vira de outro. É a ferida mais comum, e não é sobre chefe nem sobre salário. É que tudo o que você constrói ali some no relatório de outra pessoa. Você vê o negócio andar com ideia sua e não tem nada com o seu nome.
O relógio. Essa âncora tem uma urgência que as outras não têm. Cada ano a mais parece um ano a menos para começar, e esse sentimento se agrava com filhos, financiamento e estabilidade conquistada. Muita gente com essa âncora chega aos quarenta com uma lista de ideias não feitas e um incômodo que não sabe nomear.
O lugar sem espaço para o novo. Não é preciso demitir ninguém para ferir essa âncora: basta que toda proposta esbarre em processo, que nada saia do papel, que a resposta padrão seja "agora não". A ideia guardada vira, com o tempo, a coisa que tira a pessoa de lá.
Com o que ela é confundida
Com autonomia, e essa é a confusão mais cara que existe neste modelo. Ela faz gente abrir empresa atrás de liberdade e descobrir, dois anos depois, que trocou um chefe por vários: o cliente que dita prazo, o banco que dita margem, o fornecedor que dita entrega.
As duas dizem a mesma frase — "cansei de trabalhar para os outros". O que está por baixo é oposto.
Quem tem autonomia quer que não interfiram. Um negócio próprio é a forma mais cara de conseguir isso, porque negócio é interferência o dia inteiro. O caminho barato para essa pessoa costuma ser trabalho por conta, projeto, prestação de serviço — liberdade sem a máquina.
Quem tem empreender quer que a coisa exista. Essa pessoa aceita a interferência toda, e aceita de bom grado, porque é o preço de construir. Ela aguenta cliente difícil, sócio discordando e banco apertando desde que, no fim, a coisa esteja de pé e seja dela.
O teste: imagine um trabalho com total liberdade de método, ótimo salário, zero supervisão — e nada ali é seu. Autonomia acha perfeito. Empreender acha confortável e vazio.
Vale checar também liderança: liderar uma empresa grande de outra pessoa satisfaz quem quer comandar e frustra quem quer criar. E desafio: quem tem desafio quer o problema difícil e pode abandoná-lo resolvido; quem tem empreender quer a coisa de pé, inclusive na parte chata da construção.
O que fazer com isso
Faça a menor versão possível, esta semana. Duas horas, uma página, um esboço, uma amostra — e mostre para uma pessoa. Não é para lançar. É para ver se a vontade sobrevive ao contato com a realidade. Se sobreviveu, você descobriu algo. Se murchou, também, e descobriu barato.
Não peça demissão para empreender. É a recomendação mais impopular e a mais útil. Essa âncora é impaciente por natureza e a pressa é o que mais mata projeto bom. Começar pequeno, empregado, com dinheiro entrando, dá à ideia o tempo que ela precisa para se provar.
Procure espaço de criação onde você está. Muita empresa aceita, e às vezes financia, alguém que quer construir algo novo dentro dela. Não resolve a questão da autoria plena, mas testa a âncora de verdade e custa quase nada.
Cuide da parte que não é criação. Um negócio é 10% começar e 90% manter. Se a ideia de operar aquilo por cinco anos te dá tédio só de pensar, vale saber disso antes — talvez o seu papel seja criar e passar adiante, o que é legítimo e precisa ser desenhado desde o início.
A pergunta que fica
Se alguém executasse a sua ideia perfeitamente, ela desse muito certo, você recebesse uma parte do dinheiro — e o nome fosse de outra pessoa: você ficaria satisfeito ou ficaria com um incômodo?
Quem fica com o incômodo já sabe qual é a sua âncora.
Vale ler também o que são âncoras de carreira e, se a saída já estiver em curso, o que descobrir antes de decidir para onde ir.
Descubra se essa é a sua.
Ler sobre uma âncora dá a suspeita: você se reconhece em duas cenas e pensa "é isso". Só que a vizinha dela costuma ter cenas parecidas, e a diferença entre as duas é o que muda a decisão. O Teste de Âncoras de Carreira faz a pergunta que a leitura não faz, em 28 escolhas, 5 minutos, sem cadastro. No fim, você sabe qual é a sua, e o que vem logo atrás.
Descobrir se é a minha